domingo, 10 de outubro de 2010

Ana Pina Atelier



Nome: Ana Pina
Cidade: Porto
Site: http://www.anapina.com/
Blog: anapina-blog.blogspot.com
Loja online: anapina-shop.blogspot.com ou anapinatelier.etsy.com
Flickr: www.flickr.com/photos/kuartzo



Como descreverias o teu trabalho?

Diria que é a expressão do meu constante desejo de criar a assumir várias formas – no desenho adopta uma vertente mais obscura e introspectiva, na bijutaria revela o meu lado mais luminoso e feminino.



Como é que tudo começou?

Sempre gostei de artes. Quando era pequena adorava fazer experiências com lápis de cor e de cera; quando cresci, as minhas paixões dividiram-se entre a música, a poesia e o desenho, mas foi a pintura que sempre me conquistou. Adoro artistas como Gustav Klimt, Egon Schiele ou Frida Kahlo e seria capaz de passar horas em museus a admirar as suas obras. No fundo seria incapaz de viver sem arte… e se não tenho tempo para a criar continuo a inspirar-me, admirando-a.



Como escolheste o nome do teu projecto?

Quando tudo começou a minha faceta mais tímida preferiu a ideia de manter-me no anonimato e optei por um nome que não me identificasse – tarefa que depressa se revelou impossível e redutora! Há cerca de um ano atrás, a vontade de fazer o projecto crescer e torná-lo mais pessoal levou-me a alterar o seu nome. Queria algo que ao mesmo tempo me identificasse e sugerisse a criatividade inerente ao meu trabalho, capaz de adaptar-se a diferentes áreas como a pintura, a arquitectura e, claro, a bijutaria… e daí nasceu a conjugação anapinatelier.



Porquê fazer crafts? O que é que te motiva?

No fundo, sinto que a criatividade pode revelar-se de tantas formas que me parece muito limitado reduzi-la a uma só – além disso, muitas delas cruzam-se, criam dependências e podem conviver em harmonia. No meu trabalho como arquitecta sinto-me demasiado condicionada por factores externos para conseguir expressar-me enquanto artista, por isso surgiu a vontade de encontrar outros refúgios. Sempre fui apaixonada por artesanato e joalharia enquanto consumidora e comecei também a sentir curiosidade pelo processo técnico e criativo. Daí nasceu o gosto de criar peças de bijutaria - que têm vindo a tornar-se mais refinadas, em virtude da experiência e do contacto com novos materiais, como é o caso das pedras semi-preciosas. Tenho evoluído e espero evoluir ainda mais, quem sabe para o campo da joalharia... Ainda tenho um longo caminho a percorrer!



Os crafts são um trabalho a tempo inteiro? O que ocupa os teus dias?

Infelizmente dedico a este lado da minha vida muito menos tempo do que aquele que gostaria. Tenho formação em arquitectura e é nessa área que trabalho – são muitas horas passadas em frente ao computador e no fim do dia a coragem para dedicar-me a outra actividade é pouca… resta-me o fim-de-semana, também ele sobrecarregado por uma série de tarefas adiadas. Desejo alterar esta situação um dia, porque estou convencida de que o processo criativo precisa de dedicação constante e de uma certa depuração - o que só se consegue com tempo, que para mim, é um dos bens mais preciosos que temos.



De onde vem a inspiração para os teus trabalhos?

Uma das coisas que mais me inspira é a arte em si mesma, ainda que seja uma expressão artística diferente da minha – posso sentir-me inspirada por uma música que me faz esquecer o que me rodeia, um filme que me comove ou um livro que me faz reflectir. Perco-me na internet enquanto percorro blogs inspiradores de outros artistas e sinto que, no fundo, a admiração que sinto pelos seus trabalhos faz-me querer crescer e chegar mais longe.

Onde é que encontras os materiais para os teus projectos?

Compro grande parte dos materiais pela internet ou em lojas da especialidade. Infelizmente nem sempre é fácil encontrar alguns materiais nas lojas locais e acaba por ser mais variado e barato se encomendar do estrangeiro pela internet.



De todo o processo de produção das tuas peças qual é a parte que mais te agrada?

As características do meu trabalho não exigem um processo demorado de planeamento e isso agrada-me. Gosto de criar consoante o estado de espírito e de combinar cores e materiais segundo a intuição. Mesmo quando desenho prefiro o imprevisível e não gosto de fazer esquiços preparativos ou de saber qual vai ser exactamente o resultado final. Se correr bem sinto-me recompensada!

Como é que divulgas o teu trabalho?

Para além da divulgação directa através da família e amigos, a internet tem um papel muito importante, pois tem a capacidade de levar as minhas criações a sítios onde elas de outro modo nunca chegariam.

Só muito recentemente comecei a ter peças à venda em lojas e participei em feiras de artesanato – que é uma boa oportunidade de contactar directamente com pessoas que não conheço e receber o seu feedback.



A internet tem um papel importante na divulgação do teu projecto?

Confesso que desde que criei um blog que escrever regularmente passou a fazer parte de todo o processo criativo - não só como ferramenta de divulgação, mas também porque é uma forma de documentar o percurso, de expressar momentos, pensamentos e gostos e até de olhar de uma forma nova para o que me rodeia, pois sinto que tenho alguém com quem partilhá-lo.

Para além disso, considero o Flickr essencial para partilhar imagens e o Facebook tem-se revelado ultimamente como o meio mais imediato para manter um contacto constante com pessoas que estão longe, mas partilham das mesmas paixões.



O que achas da actual moda do artesanato urbano?

Acho saudável – para quem cria e para quem admira. Agora pode ser uma moda, mas o tempo irá encarregar-se de proceder a uma selecção natural, não só porque nem todos os trabalhos têm qualidade, mas também porque estou certa de que para muitas pessoas irá tratar-se de uma fase.

Sempre existiram feiras de artesanato e eu sempre gostei de as visitar e adquirir peças criadas à mão nesses eventos. O que mudou entretanto é que os artesãos agora são outros – podem ser jovens com outro tipo de formação que procuram agora no artesanato urbano um escape ou um rendimento extra, mas este é essencialmente um regresso às raízes, revestido agora de uma visão mais contemporânea das técnicas e dos usos.

Infelizmente acho que ainda não se valoriza devidamente este tipo de trabalho. As pessoas têm tendência a achar os produtos caros (ou os criadores acabam por ceder a vendê-los muito baratos), porque não têm noção de todo o trabalho que está por trás e não dão valor ao facto de estarem a adquirir uma peça única feita à mão.



Que conselho darias a quem ainda anda à procura do seu próprio estilo nos trabalhos manuais?

Admito que às vezes tenho que repetir a mim mesma alguns desses conselhos, sobretudo aquele que diz: nunca desistas. É difícil destacarmo-nos no meio artístico - não chega ter qualidade, é preciso também ter perseverança e coragem. As críticas negativas magoam e o reconhecimento pode demorar, por isso é preciso ter convicção e muita paixão pelo que se faz.

No que respeita à criação é importante encontrar um estilo próprio e assim encontrar-se a si mesmo, pois o acto criativo transmite muito de nós mesmos - cada um tem que desenhar o seu percurso. Por isso é que copiar não faz sentido, por ser uma contradição do acto de criar em si mesmo.



Podes partilhar alguns dos teus crafters favoritos?

São tantos! Não lhes chamaria crafters, porque muitos trabalham em artes plásticas ou joalharia, mas todos me inspiram de algum modo, não só pela qualidade do seu trabalho, mas também porque mantêm blogs deliciosos… em Portugal admiro artistas como Rosa Pomar, Ana Ventura, Ana Raimundo, Maria Madeira, Rita Cordeiro, Vera João Espinha, Alice Bernardo ou Paula Valentim.

No estrangeiro acompanho artistas como Camilla Engman, Sandra Juto, Abigail Percy ou Lila Ruby King. E muitas vezes penso: «quero ser assim quando for grande».

Quais são os teus sonhos para o futuro?

Quando consigo esquecer o meu lado mais pessimista e sonho desligada dos limites da realidade imagino-me a viver exclusivamente da arte, sentindo-me realizada pessoal e profissionalmente fazendo aquilo de que mais gosto. Também adorava vir a ter um espaço de loja/galeria/atelier onde, para além de dedicar-me à criação, pudesse divulgar trabalhos de outros artistas. Ainda que tal não aconteça como o sonho, adorava dedicar-me a uma formação na área da joalharia e investir mais tempo nas artes plásticas, nomeadamente na pintura, que foi a minha primeira e maior paixão.

4 comentários:

maria madeira | antónio rodrigues disse...

A Ana tem um imenso bom gosto que se traduz nas peças que executa, simples e bonitas e no seu blog que sigo sempre que o actualiza. Para além de escrever muito bem, o conteúdo fotográfico que partilha é daquele que me faz sonhar. Também tenho um sonho em comum com o seu, o de viver da minha arte.

Um beijinho*

ana pina disse...

Muito obrigada pela oportunidade Elsa!

Gostei muito de ler a entrevista - por vezes cheguei a desligar-me do facto de ter sido eu própria a escrevê-la :) - e da selecção fotográfica que fizeste.
Foi um prazer participar neste projecto tão inspirador!

Joana Ribeiro disse...

Muitos Parabéns pela entrevista e plo trabalho Ana! Gosto particularmente da forma como o trabalho é apresentado, fotos simples e bonitas! bjs

Carolina Bernardo disse...

Já não vinha dar uma espreitadela ao blog há imenso tempo e desta vez tive uma agradável surpresa ao ficar a conhecer um blog encantador e envolvente que é o Ana. Parabéns pelo seu trabalho!

Adorei as fotografias e a forma como expressa ideias. Também eu, sonho um dia poder viver das minhas "coisas com coisas", pois já tendo explorado vários campos, tenho a certeza que são o que mais amo fazer e é assim mesmo que sou feliz..

1beijinho*